Conheça o ex-aluno que primeiro projetou Brasília

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Categoria: Notícias
Data de publicação Segunda, 10 Dezembro 2012 Escrito por Cel Araujo

Em que pese toda a admiração devida à inquestionável obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, é um dever de justiça histórica reconhecer que não foi ele e nem Lúcio Costa quem apresentou o primeiro projeto urbanístico da cidade Brasília.

Esse feito se deveu a um ex-aluno da Escola da Guerra (1909), sediada no Velho Casarão da Várzea, que se tornou um dos mais ilustres militares brasileiros.

Veja a reportagem do DFTV, onde Cláudio Queiroz, Professor de Arquitetura da Universidade de Brasília, disse: "O Marechal José Pessoa é um dos Tiradentes da História de Brasília. É uma dessas pessoas que sem ele, o processo talvez tivesse sido cortado e postergado a um outro momento por que ele desempenhou um período fundamental da implantação da nova capital e da perspectiva de realização efetiva, quero dizer, tornar real".

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Marechal José Pessoa Cavalcanti de AlbuquerqueO Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque foi convidado pelo Presidente Café Filho, em 1954, para ocupar a presidência da Comissão de Localização da Nova Capital Federal, encarregada de examinar as condições gerais de instalação da cidade a ser construída. Em seguida, Café Filho homologou a escolha do sítio da nova capital e delimitou a área do futuro Distrito Federal. A Comissão de Planejamento e Localização da nova Capital, sob a Presidência de José Pessoa, foi, assim, o órgão responsável pela escolha do local exato onde hoje se ergue Brasília.

A idealização do plano-piloto também foi obra da mesma comissão que, em relatório redigido pelo Marechal José Pessoa, intitulado "Nova Metrópole do Brasil", entregue ao Presidente Café Filho, detalhou os pormenores do arrojado planejamento que se realizou.

Em 15 de março de 1956, o Presidente criou a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). O engenheiro Israel Pinheiro foi indicado como presidente da companhia e o arquiteto Oscar Niemeyer como diretor técnico. Este, imediatamente, começou a elaborar projetos para os primeiros edifícios, como o Catetinho, o Palácio da Alvorada e o Brasília Palace Hotel.

O projeto apresentado pelo arquiteto Lúcio Costa, em 1957, vencedor do concurso para a criação do projeto urbanístico do núcleo da cidade - o chamado Plano Piloto, era muito semelhante ao projeto inicial de José Pessoa, como se pode ver nas imagens abaixo e no vídeo acima. O motivo,  segundo Cláudio Queiroz, Professor de Arquitetura da Universidade de Brasília, poderia ser o fato de ambos terem as mesmas referências e influências.

O Marechal José Pessoa não imaginou o nome da capital como Brasília, mas sim Vera Cruz, estabelecendo ligação com o primeiro nome dado pelos descobridores. O plano elaborado respeitava a História e não descaracterizava as tradições brasileiras. Grandes avenidas chamar-se-iam "Independência", "Bandeirantes" etc., diferentes, portanto, das atuais siglas alfa-numéricas de Brasília, como W-3, SQS, SCS, SMU e outras.

Em 1956, José Pessoa pediu demisão ao Presidente JK, por discordar da pressa em se vender lotes sem que o projeto urbanístico estivesse sequer aprovado, antevendo assim os graves problemas que a cidade passou a enfrentar, como a ocupação urbana desordenada e falta de preocupação com o meio-ambiente.

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Esboço para a planta urbana de Brasília, elaborado pela Comissão para Localização da Capital Federal em 1954

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Lúcio Costa: Esboço do Plano Piloto - 1957

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Brasília hoje

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A cidade de Brasília e o Exército Brasileiro

Brasília, “a Capital da Esperança”, é fruto do idealismo de homens como José Bonifácio, que lhe sugeriu o nome, e da férrea determinação do presidente Juscelino Kubitschek em construí-la.

Outros insignes patriotas também muito contribuíram para que hoje, em excepcional região geoestratégica – o Planalto Central Brasileiro – se encontre Brasília, a “Cidade Monumento”, tombada pela ONU, em 1987, como “Patrimônio Cultural da Humanidade”.

É importante relembrar, de forma breve, a saga de militares do Exército, precursores da mudança da capital brasileira, mencionando alguns de seus nomes.

Inicialmente, é preciso lembrar que o ilustre historiador Francisco Adolfo de Vargnhagen, Tenente-Coronel do Corpo de Engenheiros do Exército Imperial, desencadeou, no século passado, vigorosa campanha pela mudança da capital para o Planalto Central, área por ele percorrida, ficando célebre o ofício que enviou, em 1877, da Vila Formosa da Imperatriz (hoje, Formosa-GO), ao ministro da Agricultura, expondo as vantagens da dita mudança.

Entretanto, a primeira medida efetiva visando à interiorização da Capital da República, somente se concretizaria por força do texto da Constituição de 1891, em decorrência de uma emenda constitucional de autoria do Tenente do Exército, Lauro Müller .

Em maio de 1892, foi criada uma comissão para explorar o Planalto Central, região prevista na citada Carta Magna de 1891, com vistas à localização do futuro Distrito Federal. Tal comissão foi chefiada pelo engenheiro belga, naturalizado brasileiro, diretor do Observatório Astronômico e Major Honorário do Exército, Dr. Luiz Cruls, e procedeu à demarcação, durante nove meses, do que ficou conhecido como “quadrilátero Cruls”.

Em 1893, no governo do Marechal Floriano Peixoto - o brasileiro mais entusiasta pela transferência da capital - foi formada nova comissão, sendo Cruls outra vez chamado para chefiá-la, com a incumbência de escolher, na região anteriormente demarcada, a definitiva área do futuro município neutro. Os trabalhos, iniciados em 1894, foram interrompidos, por dificuldades financeiras, em 1897, quando do governo de Prudente de Morais.

Ressalte-se que quase todos os componentes das duas comissões eram militares ou servidores civis do Exército, isso sem contar o contingente de apoio e segurança, também da Força.

Mário TravassosA ideia de ocupação do centro geográfico por atividades produtivas tomou forma concreta com a Revolução de 1930. Quem primeiro formulou o conceito foi o então Capitão do Exército Mario Travassos (ex-aluno do Casarão da Várzea e primeiro comandante da AMAN), que era já próximo de José Pessoa. Embora seja hoje pouco lembrado, Travassos, um dos maiores geopolíticos brasileiros, publicou, ainda em 1931, a obra "Aspectos Geográficos Sul-americanos". Era uma síntese para leigos do conceito básico da estratégia militar: quem toma o centro do tabuleiro pode impor sua vontade em todas as direções.

Já no início da década de 30, o então Coronel José Pessoa projetava sua presença para além do círculo fardado, através do parentesco com Epitácio Pessoa, seu tio e presidente (1919-1922), que deu apoio a Getúlio Vargas e seus revolucionários, além de ser irmão de João Pessoa, cujo assassinato forneceu o estopim para o levante.

No entanto, somente em 1946 o assunto voltou à baila, quando o presidente General Eurico Gaspar Dutra (ex-aluno do Casarão da Várzea) constituiu uma comissão de estudos para a localização da nova capital, cuja chefia coube ao General Djalma Poly Coelho. O relatório da comissão ficou pronto em agosto de 1948 (concluiu-se pela manutenção, com algumas modificações, do “quadrilátero Cruls” e foram demarcados cinco sítios, nominados por cores, tendo sido escolhido, posteriormente, o “Sítio Castanho”).

Em 1953, forma-se a Comissão de Localização da Nova Capital, presidida pelo General Aguinaldo Caiado de Castro, chefe da Casa Militar do Presidente Getúlio Vargas, que concretizou, integralmente, os objetivos previstos, coroando-os com um minucioso levantamento fotogramétrico dos cinco sítios escolhidos pela Comissão Poly Coelho.

Em 1955, convidado pelo Presidente Café Filho, assume a presidência da referida comissão, o Mmrechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Ela foi responsável pela exata escolha do local, onde hoje se ergue Brasília.

Em 1955, partem de Formosa (GO), em um comboio de seis jeeps, o Marechal José Pessoa, o governador em exercício, Bernardo Sayão, o notável geopolítico Coronel Mário Travassos e o Capitão Dr. Ernesto Silva (saudoso “Pioneiro do Antes”, ajudante-de-ordens do Marechal José Pessoa). A comitiva passa por Planaltina e chega, após quatro horas de viagem, à parte mais elevada do Sítio Castanho, atrás de onde hoje se encontra o “Memorial JK”, memorável ato histórico de presença que foi protagonizado por quatro insignes brasileiros, três dos quais eram oficiais do Exército e que caracterizou a escolha e “posse” do local para a construção de Brasília.

Muito importante é dizer-se que, por solicitação do Marechal José Pessoa, o então governador de Goiás, José Ludovico de Almeida, exarou um decreto declarando de necessidade e utilidade públicas e de conveniência ao interesse social toda a área onde se sediaria o Distrito Federal. Na tarde de 30 de abril de 1955, um sábado, reuniram-se o governador José Ludovico e o General José Pessoa para acerto de detalhes do decreto referido, o qual foi assinado no dia seguinte, 1° de maio, com data de 30 da abril, causando grande surpresa, mas impedindo a especulação imobiliária que adviria, caso esse ato legal fosse do conhecimento da população.

José Pessoa, grande patriota e idealista, assim antevia o radioso futuro do Planalto Central: “O altiplano brasileiro sempre exerceu poderoso fascínio sobre os nossos primitivos habitantes, como se deu na era aurífera de São Paulo e Minas e não tenhamos dúvida de que o mesmo acontecerá, num futuro próximo, com aquele Planalto; será com sangue novo que lhe faremos o povoamento e grandeza”.

Por fim, frise-se que quando se iniciou a construção da Capital Federal, em 1956, as primeiras moradias de Brasília, as dos candangos, foram as barracas verde-oliva do Exército, trazidas em enorme quantidade para o Planalto por ordem pessoal do ministro da Guerra, General Henrique Lott, que também deu prioridade máxima à construção de quartéis na nova Capital Federal.

(Fontes: Historiador Manoel Soriano Neto, Wikipedia e Usina das Letras)

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